Sábado, dia 19/4. A garota acordou mais animada. Ela mesma se estranha, mas logo se lembra que na noite anterior, desejou que todos os seus males fossem embora. Inclusive, as dores de seu passado, aquele passado não tão recente, não tão... passado. Enquanto tomava seu leite matinal, e pensava no quê fazer, um passarinho pousa em seu jardim. Isso sim é mais estranho, já que seu jardim é tomado por flores mortas. O que iria um passarinho tão vivo e feliz fazer ali, num canteiro morto? Resolveu, então, sair pra fora, e observar a felicidade do tal pássaro. Lá fora, vê que o passarinho tem a vida perfeita: é livre. Bate as asas para onde bem entender. Não é preso por algo ou por alguém. Vai aonde quer, a hora que bem entender. E pensando nisso, a garota voltou para dentro de sua casa. Aliás, pensou nisso o dia inteiro... "liberdade". Antes fosse bom, porque nisso, percebeu que tudo o que ela realmente precisa é de liberdade. Quando questiona-se de o porquê de não ter ido à tal lugar, é porque estava presa. Quando se lembra de porquê não poder ter feito alguma coisa em sua casa, é porque alguém lhe bloqueava. Quando quis traçar seu destino eternamente, ela não pôde, porquê estava sendo segurada por alguém. Quando a garota tinha tal liberdade, mesmo que limitada, ela usou e abusou da mesma. Ok, todos precisamos de uma "liberdade limitada" no começo, talvez para nos acostumarmos ou crescermos como gente, mas a garota achou que a liberdade era sem fim, e nisso, resolveu brincar. Ela não percebeu que ali, no meio dessa brincadeira, perderia sua liberdade de amar. A garota negava a verdade, a verdade de seu passado. Ela não queria deixar pra trás algo tão presente, mas algo que ao mesmo tempo, já tinha acontecido há tanto tempo... as coisas vinham e voltavam de sua mente, porque a sua mente era livre pra pensar no que quisesse, quando quisesse. A garota tinha liberdade de se mexer dentro de seu limitado espaço o quanto quisesse. A garota não podia ir viver a vida por não ter liberdade. Ela ficou pensando o dia inteiro nisso... aliás, se remoendo, talvez. Ela não gostava de viver presa. Nunca gostou. Seu maior sonho era poder sair por aí, para os quatro cantos, e viver livremente, como um passarinho, com liberdade. Pensando nisso, a garota viu que não precisava só de liberdade física, mas também de liberdade espiritual. Precisava aprender a viver novamente, a viver sem o seu passado. Chorava todas as noites, berrava, com um tom de indignação "Passado, deixe-me em paz!", mas era como se ela devesse continuar a viver no passado. Como se o passado tivesse gostado dela, e de fazê-la sofrer. Mas ela não gostava. Depois, quase anoitecendo, o mesmo passarinho tornou a pousar em seu jardim, e ela lhe questionou: "Passarinho, por que minha liberdade é finita?".. o passarinho bateu as asas e voou para longe.

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